Os dados de pesquisa um passo importante para a ciência aberta

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Por Juliana Reis


Pascal Aventurier do Institut National de la Recherche Agronomique - INRA em Avignon/França, atua nos temas dados abertos de pesquisa, gestão da informação e comunicação científica e participa de projetos no Brasil e no Canadá
Escreve no blog  A Publicação Científica  sobre comunicação científica e dados de pesquisa.
Encontre-o nas redes sociais
https://twitter.com/pascal_av
https://www.facebook.com/pascal.aventurier
 
Observatório CTIS - O movimento do acesso aberto tem sido fortalecido ao longo dos anos, na sua opinião, os pesquisadores, as instituições, as agências financiadoras, as editoras e a sociedade tem contribuído para avançarmos para a ciência aberta o que foi conquistado e o que ainda falta? 
 
Nem todas as editoras estão contribuindo para a ciência aberta!
As editoras comerciais têm um modelo econômico em situação de oligopólio. Elas já conseguiram incorporar o open accessno modelo deles para fazer o autor pagar muito caro para o acesso aberto do artigo, ou propondo um preço adicional para vender revistas as bibliotecas de um lado e vender o artigo em acesso aberto do outro fazendo pagar APC (Article Processing Charge).
O preço do APC é muito alto mais de 1345 $ em média (http://oad.simmons.edu/oadwiki/OA_by_the_numbers​). Para colocar a versão pós print sem o formato das editoras elas estão exigindo um período de embargo cada vez mais longomais de 1 ano, até 4 anos, antes de disponibilizar o artigo.
 
Apesar de todo o movimento o número de artigos em acesso aberto é insuficiente. Os bibliotecários podem ajudar na conscientização dos pesquisadores para entender ​melhor os benefícios do acesso aberto na promoção e disseminação dos resultados de pesquisas. 
As agências de financiamento estão exigindo cada vez mais que as pesquisas financiadas retornem para a sociedade, e assim disponibilizem os artigos e os dados de pesquisa ver o site (http://roarmap.eprints.org/).
 
A nova lei francesa de setembro 2016 permitequalquer pesquisador francês de disponibilizar uma versão depois de 6 meses para ciências "exatas" e 12 meses para as ciências humanas e sociais num repositório institucional. ​Essa exigência existe também para os artigos de pesquisas financiadas pela União Europeia.  Precisamos de mais incentivos das instituições e governos para diminuir o poder das editoras comerciais.
Nesse momento tem novos modelos de revistas, nas iniciativas dos pesquisadores ou instituições, baseadas sobre o depósito do pre-print e depois avaliação do artigo com um sistema aberta de avaliação pelos pares (open peer review) onde cada avaliação é disponível abertamente. 
Outro passo muito importante, é a mudança do sistema de avaliação das pesquisas. Uma avaliação baseada principalmente sobre o fator de impacto das revistas para uma avaliação qualitativa que ainda deve ser definida.
Essas evoluções são empolgantes​ e as mudanças vão seguir.
 
 Observatório CTIS - No artigo “Os desafios dos dados de pesquisas abertos” publicado recentemente na Reciis, é citado sobre o plano de gestão de dados. Fale mais sobre como fazer um plano de dados
 
Esse artigo descreve os diferentes aspectos sobre a gestão de dados de pesquisa. Um Plano de Gestão de Dados (PGD) ou, em inglês, Data Magement Plan ( DMP) é um documento que descreve a gestão dos dados durante o ciclo da vida deles, desde o início do desenvolvimento da pesquisa, durante  e depois do projeto. O PGD descreve o tipo de dados, os métodos de coleta, os metadados, a conservação dos dados e a disponibilização em acesso aberto, com objetivo de facilitar a sua compreensão e a reutilização futura.
 
O PDG melhora a visão de todos os aspectos da gestão de dados. As vezes tem muito trabalho sobre os dados de pesquisa para disponibilizar para outros pesquisadores e precisam de competências diferentes que os pesquisadores não tem como descrição e curadoria de dados, armazenamento de dados​, aspectos jurídicos. A união européia exige que cada projeto do programa Horizonte 2020 tenha um plano de gestão de dados. ​
 
Observatório CTIS - O Ministério de Ciências, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) do Brasil está com uma consulta pública até 12 de novembro de 2016 sobre o plano de dados abertos http://www.participa.br/pda-mctic . Você tem acompanhado? O que esta iniciativa irá contribuir para a adesão aos dados abertos?
A iniciativa de consulta pública é uma maneira  democrática de envolver o cidadão no processo. 
A lei francesa, Projet de loi pour une République numérique   usou também a participação do cidadão e foi um sucesso. 
 
Esses dados governamentais da administração pública colocado em acesso aberto é um passo muito importante para garantir ao cidadão e pesquisadores o uso e consultá-los como um bem comum.
 
A questão da abertura dos dados de pesquisa (ou dados de investigação) é um pouco diferente e deve ser também inciativas pelo governo, órgãos de financiamento, organismos científicos, e as revistas para abrir o acesso, quando for possível, para garantir o acesso, a integridade, a transparência e a reutilização das pesquisas científicas.
 

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