O indicador Patentes, recém disponibilizado pelo Observatório em Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde da Fiocruz, em parceria com a Coordenação de Gestão Tecnológica (Gestec), lança luz sobre uma dimensão fundamental da pesquisa em saúde no Brasil: a capacidade da instituição de transformar conhecimento científico em tecnologias protegidas, com potencial de gerar produtos, inovação e políticas públicas. Ao longo de 37 anos, a Fiocruz teve 933 pedidos de patentes depositados dos quais 295 ainda estão vigentes, evidenciando um patrimônio tecnológico robusto e em expansão.
Os dados mostram que, a partir de 2010, houve um crescimento expressivo no número de patentes concedidas. Esse salto acompanha o fortalecimento das políticas institucionais de inovação e propriedade intelectual e revela uma mudança estrutural: a consolidação da Fiocruz não apenas como geradora de conhecimento, mas como uma instituição voltada ao desenvolvimento de tecnologias aplicadas à saúde.
Mais do que números, o indicador de patentes ajuda a revelar também os diferentes perfis do pesquisador da Fiocruz no século XXI. Há aquele que se dedica à pesquisa básica, essencial para a expansão do conhecimento científico, e também o que inventa, protege suas criações e contribui diretamente para a geração de produtos, processos e soluções tecnológicas. As patentes concedidas são tecnologias desenvolvidas no âmbito da própria Fiocruz, resultado direto das atividades de pesquisa realizadas em seus laboratórios e unidades.
A gestão desse patrimônio intelectual é conduzida pela Gestec, ligada à Vice-Presidência de Produção e Inovação em Saúde (VPPIS) da Fiocruz, responsável pela administração do portfólio de patentes, marcas, programas de computador e contratos de transferência de tecnologia. O indicador reflete, portanto, o esforço coletivo de diversos atores institucionais inseridos no ecossistema de inovação em saúde.
Do ponto de vista metodológico, o painel de patentes do Observatório é construído a partir da integração de dados da própria Fiocruz com informações da plataforma internacional Questel Orbit, considerando o período de 2008 a setembro de 2025 (os dados contidos nas planilhas, entretanto, são trabalhados desde 1988). Os dados passam por um rigoroso processo de tratamento, que inclui padronização de informações, agrupamento por famílias de patentes, remoção de duplicidades e modelagem relacional, garantindo confiabilidade e precisão na análise. São considerados como patentes vigentes tanto os pedidos requeridos quanto os concedidos, permitindo uma visão temporal abrangente do esforço tecnológico institucional.
Além de retratar a capacidade inventiva da Fiocruz, o indicador de patentes cumpre uma função estratégica: subsidiar a formulação de políticas públicas. Ao evidenciar áreas de maior atividade tecnológica, tendências ao longo do tempo e o perfil dos inventores, esses dados apoiam decisões em gestão da inovação, investimento em pesquisa e fortalecimento do sistema nacional de ciência, tecnologia e inovação em saúde.
Assim, o indicador Patentes reafirma a Fiocruz como uma instituição pública comprometida não apenas com a produção de conhecimento, mas com sua transformação em tecnologias que impactam diretamente o desenvolvimento científico, econômico e social do país.