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Estudo das Características das principais Doenças Febris Agudas atendidas em serviço de referência do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas/FIOCRUZ

Doenças febris agudas (DFA) são inespecíficas quanto à sua apresentação. Em cidades endêmicas para Dengue este diagnóstico é superestimado. O conhecimento de sinais e sintomas de doenças infecciosas, assim como da frequência com que ocorrem, pode contribuir para a construção de modelos diagnósticos baseados em sinais clínicos precoces. Esse estudo foi realizado em pacientes maiores de 12 anos de idade, atendidos no IPEC no período de 2004 a 2008, com relato de febre de até dez dias na data da primeira consulta. O objetivo é descrever a prevalência das principais doenças febris agudas diagnosticadas. Um terço dos atendimentos foi destinado a viajantes com quadro febril, a maioria proveniente de outras cidades brasileiras. A Febre do Dengue (FD) foi a principal DFA diagnosticada entre os pacientes do estudo (n= 211) seguida da Malária (n=31). Outras doenças virais agudas (DVA) foram Rubéola (n=11), Parvovirose (4), soroconversão pelo HIV (1), Varicela (1), CMV (3), hepatite viral (7), meningite viral (1), infecção EBV (2). Dentre as demais etiologias destacamse casos de Leptospirose (7), Rickettsiose (5), dentre outros. Uma parcela significativa dos pacientes não teve diagnóstico concluído laboratorialmente (n=224). Desse grupo, 116 (51,8%) receberam diagnóstico presuntivo de Dengue, mas não houve comprovação laboratorial. Os sinais e sintomas mais prevalentes nos pacientes com Dengue confirmada foram febre (100%), cefaléia (89,1%), prostração (97,6%), mialgia (91,5%), exantema (76,6%), anorexia (82,5%) e alteração no paladar (69,1%). A presença de calafrios, icterícia, esplenomegalia e hepatomegalia foi significativamente maior nos pacientes com diagnóstico de Malária. Não houve diferença significativa entre a frequência de manifestações hemorrágicas, cefaléia, ou na média do número de plaquetas entre Dengue e Malária. A presença de tosse seca, coriza, adenomegalias palpáveis e icterícia foi significativamente maior nos pacientes com outras doenças virais agudas quando comparado ao grupo com Dengue que, por sua vez, apresentou médias mais baixas de leucócitos totais e plaquetas. Entre pacientes sem diagnóstico laboratorial concluído coriza, icterícia e esplenomegalia foram significativamente mais frequentes do que no grupo com Dengue. Mais da metade dos pacientes com diagnóstico clínico de Dengue teve essa etiologia confirmada e o valor preditivo positivo da suspeita clínica foi de 58%. O valor preditivo negativo encontrado foi de 87%. No período epidêmico esses valores foram de 69 e 85% respectivamente. O diagnóstico presuntivo (hipótese clínica inicial) de Febre do Dengue tem baixo valor preditivo positivo, portanto o diagnóstico laboratorial deve ser útil para diferenciá-la de outras causas de febre aguda. A pesquisa de malária deve ser solicitada a todo viajante febril proveniente de área endêmica para a doença, pois achados laboratoriais ou clínicos não são suficientemente específicos para a diferenciação segura entra as duas enfermidades.


Tipo de documento

Ano de publicação

2010

Autor

  • Bressan, Clarisse da Silveira