O Grupo de Pesquisa em Comunicação Científica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

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Por Sonia  Caregnato    Após duas décadas de atuação, o grupo conta com 13 pesquisadores e 16 estudantes. Digno de nota é o aumento substancial no número de alunos na primeira metade dos anos 1990 e de pesquisadores, já nesta década, o que se deve tanto ao ingresso de novos professores na Faculdade como também, e principalmente, à formação de recursos humanos, especialmente no nível de doutorado, dentro do próprio grupo. Hoje contabilizamos dez teses de doutorado e 31 dissertações de mestrado defendidas por estudantes do grupo e orientadas por um ou mais de seus pesquisadores." data-share-imageurl="http://observatorio.fiocruz.br/sites/default/files/grupo_de_pesquisa_logo.jpg">

 Por Sonia Caregnato 

Os grupos de pesquisa são o lócus privilegiado na ciência brasileira para a produção do conhecimento, a colaboração entre os integrantes e a formação de recursos humanos para a pesquisa. Assim, a implantação e a consolidação desses grupos em determinada área do conhecimento demonstram a capacidade investigativa daquela área e, também, o seu grau de reconhecimento institucional. A Ciência da Informação, área das Ciências Sociais Aplicadas, tinha 236 grupos de pesquisa registrados no Diretório de Grupos de Pesquisa do Brasil (DGP), Plataforma Lattes do CNPq, em 2014, data do último censo (o próximo acontece agora em outubro e certamente mostrará que a área continua expandindo). Dentre esses 236 grupos, está o de Comunicação Científica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que é foco de nossa atenção neste texto.

O grupo formalizou sua atuação em 1996, ou seja, neste ano completa 20 anos de existência! Tendo nascido com outro nome: Grupo de Pesquisa em Informação e Novas Tecnologias, sua longevidade garante lugar privilegiado entre os grupos de pesquisa brasileiros e atesta sua relevância.
Liderado pela Profa. Dra. Ida Regina Chittó Stumpf, a proposta inicial era integrar professores e alunos do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação (PPGCOM/UFRGS) e da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (FABICO/UFRGS) que desenvolviam pesquisas acerca da informação e de sua relação com as tecnologias e com a cultura digital.  Duas de suas linhas a época, nomeadamente Produção Científica e Publicações Eletrônicas, já expressavam aspectos daquilo que, posteriormente, se constituiria no núcleo central de interesse do grupo, ou seja, a Comunicação Científica.
Em termos de número de participantes, o grupo iniciou de maneira tímida: eram somente dois pesquisadores. A expansão foi branda, mas progressiva, conforme se observa no gráfico abaixo, gerado a partir de dados disponíveis no DGP, uma ferramenta importante tanto para divulgar a organização da pesquisa no Brasil, como para preservar a memória desse processo.
 
Após duas décadas de atuação, o grupo conta com 13 pesquisadores e 16 estudantes. Digno de nota é o aumento substancial no número de alunos na primeira metade dos anos 1990 e de pesquisadores, já nesta década, o que se deve tanto ao ingresso de novos professores na Faculdade como também, e principalmente, à formação de recursos humanos, especialmente no nível de doutorado, dentro do próprio grupo. Hoje contabilizamos dez teses de doutorado e 31 dissertações de mestrado defendidas por estudantes do grupo e orientadas por um ou mais de seus pesquisadores.
Um estudo das temáticas dessas teses e dissertações e dos projetos de pesquisa dos professores durante o mesmo período mostra a importância das temáticas abordadas, conforme se observa na figura abaixo.
 
Fonte: Censos e base correndo do DGP/Plataforma Lattes/CNPq, disponível em http://lattes.cnpq.br/web/dgp/home
 

 
A nuvem de palavras mostra os termos utilizados para descrever as temáticas da produção, proporcionalmente à quantidade de vezes em que aparecem no conjunto. Nela, observa-se que as temáticas predominantes são: Comunicação Científica (nada surpreendente!), Produção Científica e Bibliometria. Esses grandes temas são seguidos dos termos que designam os campos da Comunicação e da Informação, nos quais o grupo concentra os seus estudos e está localizado, do ponto de vista da árvore do conhecimento. Finalmente, ainda em grande evidência, se encontram os temas Periódicos, Análise de Citações e Cientometria, seguidos de Repositórios Institucionais, Rede, Pesquisa, Pós-graduação, Indicadores, entre outros.
A Figura 2 confirma o foco nas linhas de pesquisa atualmente em desenvolvimento no Grupo, quais sejam: Bibliometria, Busca e Uso de Informação, Estudos de Colaboração e de Citação, Periódicos Científicos, Produção Científica e Repositórios Digitais. No entendimento do Grupo, Bibliometria envolve o estudo e aplicação das técnicas bibliométricas, cientométricas, informétricas e webometricas para a mensuração das atividades científicas; os estudos em Busca e Uso de Informação voltam-se para a compreensão dos processos relacionados ao comportamento informacional em ambientes científicos e acadêmicos; estudos de Colaboração e de Citação lidam com as teorias, métodos e técnicas de redes sociais aplicados aos fenômenos científicos de colaboração e de citação; a linha Periódicos Científicos estuda as publicações tanto impressas como eletrônicas, nos aspectos de sua produção, avaliação, distribuição e uso; a Produção Científica nacional e estrangeira é abordada no ambiente acadêmico e da ciência, da tecnologia e da inovação e, finalmente, a linha Repositórios Digitais envolve o estudo de repositórios institucionais, temáticos ou de dados científicos no que se refere aos seus aspectos de produção, representação e utilização no contexto digital.
            Mais uma vez, o Grupo encontra-se no estágio de repensar as suas linhas, em parte adequando-se à terminologia que se consolida no campo da Comunicação Científica (o estudo da terminologia nas diferentes áreas científicas é uma possibilidade que se abre), mas também para potencializar as oportunidades de pesquisa que surgem com a vinda de novos integrantes e as oportunidades de trabalho colaborativo.
Além de enfocar os fenômenos emergentes nos processos de comunicação da ciência, noções importantes que já fazem parte da trajetória do grupo devem ser lapidadas, como é o caso da bibliometria e da cientometria, que são frequentemente utilizadas como sinônimo de “estudos métricos dos fenômenos relacionados à informação”. Como ensina Thelwall (2008)[1], os Estudos Métricos da Informação podem ser, quanto aos seus objetivos, do tipo avaliativo ou relacional, e, quanto ao escopo, sobre produção, citação ou coautoria. Os estudos métricos avaliativos visam aferir o impacto de trabalhos científicos, para informar a política científica de uma instituição ou país e contribuir para a tomada de decisões relativas ao financiamento da pesquisa, entre outros. Já os estudos relacionais procuram esclarecer as relações entre os elementos ou fenômenos no âmbito da ciência, por exemplo, a estrutura cognitiva dos campos de pesquisa, o surgimento de novas frentes de pesquisa, ou os padrões de coautoria na cooperação nacional e internacional.     
Os Estudos Métricos da Informação, a partir de seu escopo, abordam a produção, citação ou coautoria. Assentados sobre este tripé, mostramos algumas das produções dos estudantes do grupo de pesquisa, para ilustração da diversidade de temas de pesquisa que podem ser realizados. Segue, então, quadros com listas seletivas de teses e dissertações de membros do grupo que obtiveram seus títulos pelo PPGCOM/UFRGS, organizados por tipo de estudo e em ordem cronológica crescente.
 
Dissertações e teses que tratam de produção científica de autoria de membros do Grupo de Pesquisa em Comunicação Científica e que obtiveram seus títulos pelo PPGCOM/UFRGS.
 

BRAMBILLA, Sonia Domingues Santos. Produção Científica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul Representada na Web of Science (2000-2009). 2011. Tese.
SANTIN, Dirce Maria. Internacionalização da produção científica em Ciências Biológicas da UFRGS: 2000-2011. 2013. Dissertação.
VARGAS, Rosely de Andrade. A produção científica brasileira em ciências agrárias indexada na Web of Science: características e colaboração (2000-2011). 2014.  Dissertação.
NUNEZ, Zizil A. G. A produção científica brasileira em Medicina Tropical indexada nas bases de dados Web of Science e Scopus entre os anos de 2005 a 2012. 2014. Dissertação.
MAIA, Maria de Fátima Santos. Comunicação científica em ciências da saúde no Brasil: estrutura e dinâmica da produção e indícios de vitalidade. 2014. Tese.

 

Dissertações que tratam de impacto científico de autoria de membros do Grupo de Pesquisa em Comunicação Científica e que obtiveram seus títulos pelo PPGCOM/UFRGS.
 

VANZ, Samile Andrea de Souza. A produção discente em comunicação: análise das citações das dissertações defendidas nos programas de pós-graduação do Rio Grande do Sul. 2004. Dissertação.
MESQUITA, Rosa Maria Apel. Documentos eletrônicos on-line: análise das referências das teses e dissertações de Programas de Pós-Graduação em Comunicação do Rio Grande do Sul. 2006. Dissertação.
HOPPEN, Natascha H. F. A Neurociências no Brasil de 2006 a 2013: produção científica, colaboração e impacto. 2014. Dissertação.
MENEZES, Sabrina Diehl. A produção científica e o impacto da Química brasileira: análise dos artigos indexados na Web of Science entre 2004 e 2013. 2016. Dissertação

 

Dissertações e teses que tratam de colaboração científica de autoria de membros do Grupo de Pesquisa em Comunicação Científica e que obtiveram seus títulos pelo PPGCOM/UFRGS.
 

MAIA, Maria de F. S. A Produção e o Uso de Informações em Saúde: estudo bibliométrico da área de Epidemiologia. 2006. Dissertação.
VANZ, Samile Andrea de Souza. As redes de colaboração científica no Brasil: (2004-2006). 2009. Tese.
ALVAREZ, Gonzalo Rúben. Produção científica, colaboração e impacto da Física de Altas Energias brasileira indexada na Web of Science (1983-2013). 2015. Dissertação.
QUEIROZ, Daniela Gralha de Caneda. A produção científica, a colaboração e o impacto da matemática brasileira na Web of Science (2004-2013). 2016. Dissertação.

 

 
Dissertações e teses que envolvem diferentes aspectos da Comunicação Científica de autoria de membros do Grupo de Pesquisa em Comunicação Científica e que obtiveram seus títulos pelo PPGCOM/UFRGS.
 

ROZADOS, Helen Beatriz Frota. Indicadores como ferramenta para gestão de serviços de informação tecnológica. 2004. Tese
CRESPO, Isabel Merlo. Um estudo sobre o comportamento de busca e uso de informação de pesquisadores das áreas de biologia molecular e biotecnologia: impactos do periódico científico eletrônico. 2005. Dissertação.
VITULLO, Nadia Aurora Vanti. Links hipertextuais na comunicação científica: análise webométrica dos sítios acadêmicos latino-americanos em Ciências Sociais. 2007. Tese.
PAVAN, Cleusa. Práticas sociais na comunicação científica: a avaliação pelos pares nas revistas brasileiras de ciência da informação. 2008. Dissertação.
MOURA, Ana Maria Mielniczuk de. A interação entre artigos e patentes: um estudo cientométrico da comunicação científica e tecnológica em biotecnologia. 2009. Tese.
FERREIRA, Ana Grabriela Clipes. Visibilidade das revistas científicas da UFRGS. 2011. Dissertação.
ZANOTTO, Sônia Regina. Informação estatística oficial produzida pelo IBGE: apropriação pela comunidade científica brasileira no período 2001 a 2009. 2011. Dissertação.
SOUSA, Rodrigo Silva Caxias de. Trilhas de comunicação científica: links de postagens de pesquisadores brasileiros nos blogs de ciência. 2011. Tese.
PAVÃO, Caterina Marta Groposo. Comportamento de busca e recuperação da informação em serviços de descoberta em rede no contexto acadêmico. 2014. Tese.
SANTOS, Rafael Antunes dos. Análise de coocorrência de palavras na pesquisa brasileira em HIV/AIDS indexada na Web of Science no período 1993-2013. 2015. Dissertação.
MACHADO, Denise Ramires. Dados de pesquisa em Repositório Institucional: o caso do Edinburgh DataShare. 2015. Dissertação.
MEDEIROS, Jackson da Silva. Uma investigação sobre a autoria de dados científicos: teias de uma rede em construção. 2015. Tese.
PASSOS, Paula Caroline Schifino Jardim. Perspectivas para as revistas científicas no contexto da colaboração em rede: um enfoque da arquitetura da informação. 2016. Tese.

           
            As temáticas para o trabalho de pesquisa na área são inúmeras, mas os membros do Grupo de Pesquisa em Comunicação Científica da UFRGS têm clareza de que, mesmo atuando de forma coletiva, conseguem elucidar apenas uma pequeníssima parte delas. A colaboração com outros grupos de pesquisa, no Brasil e fora dele, é o caminho que nos permite vislumbrar o atingimento de resultados mais amplos, e também parece ser o crescimento natural a partir do histórico apresentado. Assim, estamos abertos a parcerias!
 

 
[1] THELWALL, M. Bibliometric to Webometrics. Journal of Information Science, v.34, n.4, p. 605–621, 2008.
 
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